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O JULGAMENTO DA HUMANIDADE (the judgement of the humanity)

Julho 4, 2008 · Deixe um comentário


 A inocência, a sabedoria, a esperança e a fé reuniram-se pela última vez. Em pauta: o julgamento da humanidade. Todas chegaram à conclusão de que deveriam abandonar o homem e deixá-lo entregue a própria sorte.
   A inocência afirmou:
 – O homem sempre soube o que estava fazendo e nunca se responsabilizou por suas barbáries!
   A sabedoria enumerou algumas causas que levaram o homem ao seu desfecho:
 – Ao descobrir o fogo, o homem sentenciou sua própria existência. Aprendeu a controlar o elemento que o tornaria senhor entre as criaturas. Entretanto, ele usou arbitrariamente (armas atômicas) contra o seu irmão!
   A esperança que estava ao lado da fé desabafou:
 – E essa criatura que denomina-se “racional” sempre foi incapaz de enxergar a si próprio e ao seu semelhante.
   E continuou:
 – Até eu mesma senti que não lhe restava mais esperança!
   A fé, que até aquele momento se encontrava calada, levantou-se. Convidou a todas para irem até o jardim onde revelaria o seu ponto de vista:
 – Quando o homem ainda engatinhava, você o amava, inocência. Contudo, não lhe foi fiel quando ele desviou para o caminho do mal.
  Concluiu:
 – E você, sabedoria o encheu de novas descobertas e curas. Agora que a criação se rebelou, você a acusa?
 – Quanto a você, esperança, sua culpa lhe cai em dobro, pois vivia alimentando-o com falsas promessas.
   Todas estavam cabisbaixas ao perceberem sua parcela de culpa. Subitamente elas perguntaram-lhe uníssonas:
 – E quanto a você… Qual a sua parcela de culpa?
   Com a voz embargada a fé respondeu:
 – “A fé remove montanhas…”. Infelizmente a humanidade me outorgou uma missão, que até hoje eu nunca pude cumprir…

 
Este conto é parte integrante do livro O ANJO E A TEMPESTADE,
de Agamenon Troyan
(Editora Nelpa / www.nelpa.com.br )

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